terça-feira, 1 de julho de 2008

Nova pesquisa do Grupecj - O Corpo e a anatomia impressa

O corpo e a anatomia impressa.
(apresentação do corpo humano nos jornais de João Pessoa - PB)

Orientador: Prof. Dr. Wellington Pereira.

Introdução:

Este projeto de pesquisa tem como objetivo estudar a apresentação dos corpos humanos no jornalismo impresso. Nesse sentido, buscamos trazer referências aos leitores para que eles possam entender como o corpo humano sofre transformações estético-lingüísticas quando é utilizado para ratificar as categorias e os gêneros jornalísticos.

Ao discutir a construção social do corpo, através das diversas pistas interdisciplinares, precisamos entender como a mídia, especificamente o jornal impresso, reconstrói a apresentação dos corpos humanos em função da apreensão factual e da “anatomia” da linguagem dos jornais.
Em nossa proposta de estudos, vamos procurar demonstrar quais são os “enquadramentos” editorias que submetem o corpo humano ao processo informativo, e em que momento os corpos perde ou ganha mobilidades capazes de demonstrar a autonomia “corporal” dos personagens das notícias ou reportagens impressas em relação às regras discursivas do campo jornalístico.

Portanto, a pesquisa tem o compromisso de estabelecer pistas epistemológicas para se entender como o corpo humano aparece nos principais jornais de João Pessoa: O Norte, Correio da Paraíba.

Justificativa:


Estudar a apresentação dos corpos nos jornais impressos é de suma importância, pois se trata de uma leitura interdisciplinar sobre as formas de construções das realidades linguageiras no campo da mídia.

Os mais diversos estudos sobre o corpo têm demonstrado as transformações corpóreas que aponta para a investigação da sexualidade, da política, e da religiosidade. Todos esses campos apontam para os constrangimentos sofridos pelo corpo, a partir das determinações sócio-culturais de como se vestir, se alimentar, fazer sexo e vender produtos utilizando corpos.

A importância do nosso estudo enfatiza uma questão pouco discutida nos estudos do jornalismo impresso: a utilização do corpo humano como signo referencial e ilustrativo da informação jornalística. Ou seja, demonstrar qual o papel do corpo na “legitimação” das informações impressas.

Construção do Objeto:

O nosso objeto de estudo é a apresentação do corpo humano como elemento das narrativas jornalísticas. A problematização se efetiva com as possibilidades de anulação dos movimentos corporais, a partir do enquadramento editorial de imagens, pela utilização da linguagem verbal como “ferramenta” descritiva dos corpos que aparecem nas fotos dos textos informativos.

As investigações sobre este “corpo no jornalismo impresso” devem obedecer a três níveis de análise: 1) corpo-aparência; 2) corpo-movimento; corpo-fático.

O corpo-aparência é o que representa as relações presenciais do próprio evento. Ele serve como ilustração dos eventos. Mas pode, no caso das cerimônias oficiais, o corpo mutilado pelo discurso verbal como as legendas: períodos escritos para reduzir a polissemia das imagens no jornalismo impresso.

Podemos afirmar que o corpo-aparência na edição dos jornais é teleológico, pois relaciona os fatos às causas finais, procurando legitimar argumentos. Em relação ao corpo-movimento, os problemas a serem verificados, do ponto de vista analítico, são mais agudos. Porque corpos em movimento que dizer ação. E isso significa demonstrar como os corpos humanos pontuam as relações causais que determinam gestos, palavras e jogos simbólicos.

Ao estudar a representação do corpo-movimento no jornalismo impresso, vamos procurar entender como este pode ser entendido como “sujeito semiótico”- aquele que coloca em circulação as varia expressões - das mobilidades sociais.

O corpo-movimento é aquele que revela as imbricações estéticas das manifestações públicas, materializadas nos rituais de protestos, nas festas populares, nos exercícios lúdicos da vida cotidiana.

Como terceiro problema de nossa análise, surge o reconhecimento do corpo-fático – ligado à função fática da linguagem – que serve como canal para a transmissão de informação, mas antes se apresenta como eficaz meio para a venda de bens duráveis de consumo, planos de saúde, apartamentos, lazer e eficiência profissional.
Objetivos:

Objetivo Geral:
- O principal objetivo de nossa pesquisa é estudar como os corpos humanos aparecem nas narrativas do jornalismo impresso.

Objetivos específicos:
- Verificar a relação entre a apresentação dos corpos humanos e o aspecto referencial da linguagem do jornalismo informativo.
- Identificar como as técnicas do fotojornalismo criam novas dimensões corpóreas para os personagens das notícias e reportagens.
- Analisar qual o modelo de corpo predominante no processo enunciativo do jornalismo impresso.

Metodologia:

Do ponto de vista metodológico, vamos dividir os métodos em dois níveis: 1) métodos de abordagem; 2) métodos de procedimento. Quanto à abordagem, adotaremos uma postura indutiva, de forma a verificar a complexidade entre os conceitos e a suas projeções internas e externas com relação à imagem do corpo apresentado no jornalismo impresso. Isso quer dizer: não haverá uma preocupação ajustar o estudo do objeto e uma conclusão antecipada.

A indução vai nos ajudar a formas como o objeto de estudo se relaciona, no universo da linguagem jornalística, com as várias estratégias narrativas empregadas para constituir de conceitos. Em relação aos métodos de abordagem, a nossa “ferramenta” será a análise de discurso, considerando que o jornal é um sujeito semiótico que fala ao mundo externo a partir de formas discursivas verbais e não-verbais.

As formas de imbricações dos discursos para apresentar o corpo, no jornalismo impresso, nascem das diversas imbricações de linguagens. Nesse sentido, a análise do discurso é o método de abordagem que pode fazer o nosso objeto de estudo compreensível.

Bibliografia:

CERTEAU, Michel de – A invenção do cotidiano – artes de fazer. Petrópolis(RJ): Vozes, 1994.
DAYRELL PORTO, Sérgio (org.) – Jornal –da forma ao sentido. Brasília: Paralelo 15, 1997.
DEMO, Pedro – Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.
GOMES, Mayra Rodrigues – Jornalismo e ciências da linguagem. São Paulo: Edusp, 2000.
GREINER, Christine – O corpo – pistas para estudos indisciplinares – São Paulo: Annablume, 2005.
LE BRETON, David – Adeus ao corpo. In: Novaes, Adauto(org.) O homem máquina: a ciência manipula o corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
MOREL et alii, Marcos – Palavra, imagem e poder – o surgimento da imprensa no Brasil do século XIX. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
PAIS, José Machado – Vida cotidiana – enigmas e revelações. São Paulo: Cortez, 2003.
REBELO, José – O discurso do jornal. Lisboa: Notícias, 2000.
SANTAELLA, Lucia – Comunicação e pesquisa. São Paulo: Hacker, 2001.
SANTAELLA, Lucia – Cultura e artes do pós-humano – da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.
SILVERSTONE, Roger – Por que estudar a mídia? São Paulo: Loyola, 2002.
WOLF, Mauro – Teorias das comunicações de massa. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Um comentário:

Patrícia disse...

Parabéns ao grupo que idealizou o blog!!! Está lindo!!!! =)

Adorei tb a idéia de colocar o projeto da nova pesquisa aqui! Ficou bem acessível a todos!!!

Abraços aos idealizadores e ao Grupecj como um todo!

Patrícia Lins